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Registo de autoridade

Asilo dos Inválidos da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos

  • AISCMB
  • Pessoa coletiva
  • 1874-1960

O Asilo de Inválidos da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos foi edificado entre 1874 e 1890, concretizando a missão assistencial planeada pela Irmandade desde 1818, data da constituição do Fundo dos Entrevados. A estrutura foi instalada no topo norte das novas dependências da Santa Casa (lado esquerdo da Igreja), aproveitando o espaço disponível na segunda metade do século XIX.
A sua função primordial era o acolhimento de pessoas necessitadas, servindo também, em caráter excecional, como local de pernoita para quem não tivesse abrigo. No final do século XIX, o espaço ainda funcionava em articulação com um pequeno Recolhimento (ou Casa de Peregrinos), que prestava apoio provisório aos caminhantes da rota de Santiago de Compostela.
Administração e Organização
A gestão do Asilo era da competência direta do Mordomo Dirigente (ou Mesário Dirigente), responsável pela administração do estabelecimento. A partir de 1917, com a extinção do cargo de Mordomo do Culto, este administrador passou também a tutelar a Igreja da SCMB, dada a proximidade física e institucional entre os espaços.
A organização interna do Asilo caracterizou-se por:
Supervisão: Direção do Mordomo do Mês ou do Irmão do Mês.
Corpo Técnico: Assistência direta prestada por enfermeiros responsáveis especificamente pelos asilados.
Expansão: O Compromisso de 1887 previa a criação de um Albergue Noturno anexo ao edifício do Asilo, reforçando a sua vertente de acolhimento imediato.
Evolução Normativa
A importância do Asilo na estrutura da Santa Casa foi sucessivamente ratificada nos principais documentos da instituição:
Compromisso de 1887: define o Asilo como uma das grandes linhas de caridade da SCMB.
Estatutos de 1917: reafirmam o privilégio concedido às ações de caridade desenvolvidas no Asilo.
Regulamento de 1952: Consolida a estrutura administrativa, mantendo a missão original de assistência aos inválidos com designações de cargos mais atualizadas.

Confraria de Santa Gertrudes

  • CSG
  • Pessoa coletiva
  • 1790-1870

As confrarias ou irmandades, constituídas por leigos (confrades), registaram uma expansão significativa entre os séculos XVII e o início do XIX. Estas instituições funcionavam como redes de solidariedade espiritual e social, sustentadas por doações e legados pios de devotos que procuravam assegurar o sufrágio das suas almas e a obtenção de indulgências.
A Confraria de Santa Gertrudes Magna (monja beneditina e mística alemã do século XIII) insere-se neste movimento, refletindo a crescente popularidade do culto à "Santa do Sagrado Coração" em Portugal no final do século XVIII, período em que a sua espiritualidade mística atraía a aristocracia e o clero.
A génese desta Confraria no seio da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos deve-se à iniciativa de José de Almeida Castelo Branco Bezerra, senhor da Quinta de Pereiró (S. Paio de Carvalhal) e, então, mesário da instituição.
O requerimento para a fundação foi apreciado em Mesa no dia 13 de maio de 1790, sob o provimento de Francisco Xavier Cordeiro da Nóbrega. A aprovação do pedido não apenas oficializou a devoção, mas também alterou a disposição iconográfica da Igreja da Misericórdia.
Iconografia e Espaço Sagrado
Por vontade do instituidor, a hierarquia do altar-mor foi reorganizada para acolher as novas devoções:
Lado do Evangelho (Esquerda): Imagem de Santa Gertrudes, a Magna.
Lado da Epístola (Direita): Imagem de Santa Isabel (Rainha de Portugal e figura central das Misericórdias).

Confraria do Santíssimo Sacramento

  • CSS
  • Pessoa coletiva
  • 1646-1722-06-21

Confraria do Santíssimo Sacramento de Barcelos, instituição de cariz religioso e assistencial, sediada em Barcelos, cuja gestão e património estão historicamente vinculados à Santa Casa da Misericórdia. A documentação atesta o papel central desta irmandade na manutenção do culto eucarístico e na gestão dos bens que compunham a sua Fábrica.
O registo principal incide na administração dos rendimentos provenientes de um vasto património imobiliário distribuído por diversas freguesias do concelho. Por meio dos livros de receita e despesa, é possível acompanhar o lançamento sistemático das rendas e dos foros pagos pelos caseiros e foreiros da instituição. Esta organização geográfica dos pagamentos revela não apenas a solidez económica da confraria, mas também a sua profunda inserção no tecido social e agrícola da região de Barcelos.
Complementarmente, os assentos documentam a despesa ordinária da Fábrica, abrangendo os custos com a liturgia, a conservação dos altares e o cumprimento de legados pios. Dada a sua subordinação administrativa à Misericórdia, este conjunto documental constitui uma fonte de valor excecional para o estudo da história da assistência e da gestão de bens eclesiásticos sob a égide da Santa Casa, oferecendo um retrato detalhado da economia local e da piedade cristã ao longo dos séculos.

Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos

  • HOSP
  • Pessoa coletiva
  • 1499-1980

Tanto o Hospital, com o Asilo e Botica, tinham, inicialmente, uma organização muito rudimentar, sendo que o Hospital supervisionado pelo Mordomo do Mês ou Irmão do Mês era constituído apenas por dois médicos, o Medico do Partido e o Cirurgião do Partido e pelos Hospitaleiros que cuidavam dos doentes, e o Asilo pelos enfermeiros responsáveis pelos asilados. Inicialmente existiria um pequeno Recolhimento ou Casa de Peregrinos que, provisoriamente, acolhia peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.
Posteriormente, a partir de 1900, observa-se uma grande evolução na estrutura do Hospital, embora se mantivesse a supervisão do então Mordomo Dirigente, é criado um grupo médico designado de Conselho Médico, constituído pelos Facultativos ou seja os médicos contratados pela SCMB e que tinham a seu cargo o regime clínico do Hospital e ao qual competia o aconselhamento da Mesa em relação às necessidades do Hospital e do Asilo.
A direção do Hospital e do Asilo é da competência do Mordomo Dirigente, por vezes designado Mesário Dirigente, que atua como gestor desses estabelecimentos. Pelo desaparecimento do cargo de Mordomo do Culto em 1917, passa a ser também responsável pela Igreja da SCMB.
No que toca aos Serviços Clínicos, estariam inicialmente divididos em apenas três, Medicina e Partos, Cirurgia e por fim Aceitação, Consultas e Casa de Banco, e tinham como responsável um Diretor Clínico, a quem respondiam os enfermeiros, parteira no caso do serviço de Medicina e Partos, e os demais criados. Existindo dentro do Hospital vários departamentos como a Alfaiaria e Lavandaria, a Casa Mortuária e Teatro Anatómico, a Despensa e Cozinha, Arsenal de Cirurgia e ainda uma Farmácia própria, com farmacêutico responsável pelo fornecimento e avio dos medicamentos ao Hospital, de forma a dar apoio fundamental às suas necessidades.
A partir de 1933, a estrutura de gestão do Hospital altera-se bastante, já que, além da supervisão do Mesário Dirigente, é acrescido um Fiscal ou Diretora que seria um intermediário entre as necessidades do Hospital e o Mordomo e a Mesa Administrativa. No que toca ao Conselho Médico e Direção Clinica é designado agora um Diretor Clinico e um Subdiretor e ainda um Secretário, sendo que mantêm as suas competências anteriores, de fazer recomendações técnicas a Mesa Administrativa. Gradualmente assiste-se, a partir deste momento, a um aumento dos Serviços Clínicos que se dividiram em três: os Serviços Externos, os Serviços Internos e os Serviços de Especialidade que também tinham sido mais alargados. Assim, os Serviços Externos estariam subdivididos três: Medicina Geral, Cirurgia Geral e Consulta Externa, Aceitação e Banco. Os Serviços Internos estariam subdivididos em quatro:
Cirurgia e Partos, Medicina, Crianças e Tuberculose. No que toca aos Serviços de Especialidade, um dos regulamentos do mesmo faz menção aos serviços criados ou a ser criados, relatando cerca de 10 novas especialidade desde oftalmologia, a otorrinolaringologista, a venereologia e dermatologia. Tal como acontecia anteriormente, todos os serviços tinham como responsável um Diretor Clinico, a quem respondiam os enfermeiros, parteira, no caso do serviço de Medicina e Partos, e os demais criados.
É ainda de mencionar os designados Serviço Técnicos, como o Arsenal Cirúrgico, sob responsabilidade de Diretor e Conservador, a Casa Mortuária e Teatro Anatómico, o Balneário e a Farmácia, sob a supervisão de um Farmacêutico, assistido por um Servente ou Ajudante.
O grande bloco hospitalar, atualmente nas traseiras do edifico da SCMB, concluído em 1970, deve-se à vontade das várias Mesas Administrativas de atualizar os serviços médicos disponibilizados, tendo sido grandemente apoiado por doações de benfeitores, como Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca, Miguel Gomes de Miranda, Dr. Duarte Nuno Lima Barroso e Horácio Barroso. Com a construção do novo bloco hospitalar e remodelação das antigas instalações e dos diversos serviços clínicos, o Hospital passou à categoria de Hospital Distrital, embora sem apoio estatal. Com o 25 de Abril e as mudanças que se instalaram no país, a SCMB sofreu como todas as instituições congéneres, as tentativas de nacionalização do seu Hospital. No entanto, e ao contrário do que aconteceu em muitos casos, foi inicialmente estabelecida uma comissão de cogestão na tentativa de manter a união entre o Hospital e a instituição. Tal solução durou somente um ano, após o qual a gestão do Hospital foi declinando, até que se concretizou a nacionalização do Hospital, ordenada por decreto de lei 704/74 de 7 de Dezembro, a SCMB foi finalmente obrigada a ceder ao Estado a exploração gratuita deste estabelecimento, situação que foi alterada em 1980, através de decreto de lei 14/80 de 26 de Fevereiro, que impôs o arrendamento do edifício Hospitalar ao Estado e o pagamento de uma indemnização por todo o recheio do
edifício.

Inácio da Silva Medela

  • ISM
  • Pessoa singular
  • [16-- - 1746]

Nascido no bairro Bom Jesus, Barcelos, em data incerta, Inácio da Silva Medela era filho legítimo de Pascoal Rodrigues e de Helena Ribeiro.
Cedo parte para terras do Brasil, onde se torna num rico homem de negócios «brasileiro», cuja fortuna foi considerada uma das maiores do seu tempo em terras brasileiras, deixando, à sua morte, entre muitas outras coisas, terrenos na baía de Guanabara.

Residente na Rua Direita, do Rio de Janeiro, lá casou com Maria de Almeida, de quem vem a enviuvar. Sem filhos, transformou-se num dos maiores benfeitores do seu tempo. Em 18 de agosto de 1724, passa uma procuração para se instituir um coro permanente no templo do Senhor da Cruz da sua terra natal.
Inácio Medela, não esquecendo os seus familiares, legou grande parte de sua fortuna a instituições de caridade no Rio de Janeiro e em sua Barcelos natal, nomeadamente à Santa Casa da Misericórdia.
Encontramos ainda referências à sua pessoa em várias diligências de habilitação a familiar do Santo Ofício (Inquisição), entre 1721 e 1731, onde, para além da referência à sua família, havia desconfianças de que era cristão-velho (judeu), mas deixara um legado de uma missa ordinária na Casa da Santa Misericórdia de Barcelos, por ele e por sua mulher. Seria uma pessoa de bons procedimentos, sisudo, prudente e de segredo, que sabia ler e escrever e, além disso, ter-se-ia tornado clérigo pela Ordem Terceira de S. Francisco!

Igualmente deixou um importante legado à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, de que temos notícias em dois requerimentos do provedor e Irmãos da Misericórdia da Vila de Barcelos sobre o mesmo, entre 1757 e 1820, em que ficamos a saber que “desejava beneficiar as suas parentas pobres e órfãs desvalidas (…) para dotes de parentas pobres que quisessem ser religiosas e na falta destas para dotes de casamento e ainda em parte das que não fossem parentes, contratando com a Santa Casa da Misericórdia o ficar responsável pela arrecadação deste rédito anual, administração e satisfação destes legados, segundo a forma por ele prescrita pelo interesse da quarta parte do mesmo rendimento ser a favor da mesma Santa Casa”.
Da sua obra de beneficência, temos, no Arquivo Leonor – o arquivo histórico da Misericórdia –, os seguintes registos: Livro de registo de esmolas de Inácio Medela 1746-1843, Livro dos Legados de 1787-1797 e três livros com registos da sua genealogia entre 1746-1797.

Santa Casa da Misericórdia de Barcelos

  • PT/SCMB
  • Pessoa coletiva
  • 1464-

A Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB) integra a rede de confrarias instituídas sob o patrocínio da Rainha D. Leonor e a reforma administrativa de D. Manuel I. Embora a historiografia tradicional (Eugénio da Cunha e Freitas) aponte a sua fundação para 1518, sob o provimento do Dr. Pedro Nogueira, evidências nos tombos da Gafaria recuam a sua existência documentada a 1499.
A SCMB sucedeu a duas instituições assistenciais medievais de Barcelos:
Gafaria (Hospital de Lázaros): Localizada fora do perímetro urbano (Lugar da Ordem, junto ao Rio Cávado), dedicada ao isolamento de leprosos.
Hospital do Espírito Santo: situado na Rua de Santa Maria, destinado ao acolhimento de doentes pobres e de peregrinos.

  1. Impacto do Pós-25 de Abril e Nacionalização (1974 - 1980)
    Na sequência da Revolução de 1974, a SCMB enfrentou a nacionalização da sua unidade hospitalar. Inicialmente, foi estabelecida uma comissão de cogestão para preservar o vínculo entre o Hospital e a Irmandade, mas a solução foi efémera.
    1974: O Decreto-Lei n.º 704/74 formalizou a nacionalização, obrigando a SCMB a ceder a exploração gratuita do edifício ao Estado.
    1980: O Decreto-Lei n.º 14/80 alterou este regime, impondo o arrendamento do edifício ao Estado e o pagamento de indemnizações pelo recheio da unidade.
  2. Reorganização Administrativa e Estatutária (Pós-1981)
    A partir da década de 80, a estrutura de governação da SCMB sofreu alterações significativas para se adaptar à nova realidade institucional:
    Órgãos Sociais: Extinção da Comissão Recenseadora e redução do Definitório (de três membros efetivos e três suplentes).
    Mesa Administrativa: Manutenção dos cargos de Provedor e Vice-Provedor, com a extinção do cargo de Vice-Secretário. O cargo de tesoureiro voltou a ser exercido por um mesário (em vez de um funcionário).
    Gestão de Valências: A figura do Mordomo/Mesário Dirigente foi substituída pelo Irmão de Visita, com funções de fiscalização mensal, mas sem poderes de gestão direta.
    Estrutura Operacional: Criação de três divisões sob a alçada da Mesa:
    Culto e Assistência (gestão de igrejas e capelas pelo Capelão);
    Património e Regime Financeiro (contabilidade e tesouraria);
    Secretaria.
  3. Expansão da Rede Assistencial (1985 - Atualidade)
    Após a perda do Hospital, a SCMB redirecionou o seu foco para o apoio a idosos e à infância, transformando o antigo Asilo de Inválidos no atual Lar da Misericórdia. Entre 1985 e 2014, a instituição expandiu-se com as seguintes valências:
    Infância: Infantário Rainha Santa Isabel (1985), Centro Infantil de Barcelos e Creche "As Formiguinhas".
    Terceira Idade: Lar Rainha D. Leonor (1986), Lar N. Sra. Da Misericórdia, do Lar de Santo André e do Centro Social de Silveiros.
    Saúde e Social: Clínica de Medicina Física e Reabilitação, Cantina Social (2012) e a Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Santo António (2014).